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Por que estudantes negros apanham mais nos EUA?

arnaldomaq
16 de out.
4 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

Venho com mais um debate originados de um artigo na mídia norte-americana, e este trata de um tema polêmico. Sabe-se que o castigo corporal escolar com o paddle (uma palmatória grande para bater nas nádegas) é legal em vários estados. Mas sabe-se também que os estudantes negros são vítimas bem mais frequentes. O artigo aborda uma cidade no estado de Mississipi, que tem um histórico complicado de racismo.

Os alunos nesta cidade do centro do Mississippi logo aprendem que até mesmo pequenas infrações podem resultar em uma surra de paddle. Steven Burns, aluno do sétimo ano, relata ter apanhado por usar uma camisa de cor inadequada; Jacoby Blue, de 12 anos, por não ter terminado a lição de casa a tempo; e Curtis Hill, de 16 anos, por jogar, de maneira desafiadora, um pedaço de papel amassado na lixeira.

No Condado de Holmes, onde 99 por cento das crianças das escolas públicas são negras, os alunos relatam que o castigo corporal começa, tradicionalmente, na creche e em centros do programa "Head Start". Nesses locais, os professores dão leves batidas nas crianças em idade pré-escolar usando réguas e lápis, enquanto advertem: “Espere só até você chegar à Big School”

Na “Big School”, o paddle de madeira é maior — o manual de conduta dos funcionários estipula que ela pode ter até trinta polegadas (aprox. 76 cm) de comprimento, meia polegada (aprox. 1,3 cm) de espessura e de duas a três polegadas (aprox. 5 a 7,5 cm) de largura — e os professores, por vezes, advertem os alunos que se comportam mal dizendo: “converse com a madeira ou vá para a rua” (uma gíria que se refere à escolha entre levar uma lapada com o instrumento ou sofrer uma suspensão escolar).

“Não se trata exatamente de você aprender a ouvir, trata-se de você sentir dor”, diz Kameisha Smith, uma estudante universitária de 19 anos que frequentou escolas públicas no Condado de Holmes e está ajudando a organizar uma resistência liderada por estudantes contra essa prática.

Nos últimos meses, distritos escolares têm sido alvo de duras críticas por suspender e expulsar alunos negros em taxas muito mais elevadas do que as observadas entre alunos brancos, começando já nas séries iniciais. No ano letivo de 2011–12, por exemplo, as crianças negras representavam apenas 18% dos alunos da pré-escola incluídos em um levantamento nacional; contudo, correspondiam a quase metade das crianças em idade pré-escolar que sofreram múltiplas suspensões.

“Precisamos enfrentar essas verdades brutais de frente”, disse o secretário de Educação, Arne Duncan, durante uma coletiva de imprensa em janeiro, na qual divulgou novas diretrizes federais para a disciplina escolar.

No entanto, diz o artigo, tanto as diretrizes quanto o debate nacional têm negligenciado verdades brutais no que diz respeito à disciplina física nas escolas — prática que ainda ocorre dezenas de milhares de vezes ao ano. Assim como ocorre com as suspensões, crianças negras estão muito mais sujeitas a sofrer punições físicas (como lapadas ou golpes com objetos) na escola do que crianças brancas. Em 2012, por exemplo, as crianças negras representavam 18% da população estudantil, mas correspondiam a 35% dos casos relatados de punição corporal nos estados que permitem essa prática, segundo um levantamento do Escritório de Direitos Civis do Departamento de Educação.

No Mississippi, onde cerca de metade de todos os alunos da rede pública de ensino são negros, essas disparidades raciais ampliaram-se ligeiramente nos últimos anos: em 2012, as crianças negras representavam cerca de 64% dos alunos que sofreram punição física com paddle, um aumento em relação aos 60% registrados em 2000.

Tentando encontrar uma explicação razoável, o artigo lembra que a maioria dos estados onde o castigo corporal escolar é permitido também são estados onde há maior população negra. E mais: em numerosas comunidades, são também os negros os maiores apoiadores do paddle.

“Sentimos que sabemos o que é melhor para nossos filhos”, diz Troy Henry, um membro afro-americano do conselho da St. Augustine High School, em Nova Orleans — uma escola católica historicamente negra e voltada apenas para o público masculino — que há três anos lutou contra uma iniciativa para abolir o castigo corporal na instituição. Ele acrescentou que o paddle ajuda a reforçar a importância de regras e limites. “A margem para erros é muito menor nas comunidades negras, especialmente para os meninos negros”, afirma ele.

Mas também há boas notícias: mesmo no Mississipi o paddle está lentamente perdendo terreno. O número de castigos caiu 33% entre 2008 e 2012.

Qual será o real motivo do paddle ser mais aplicado a negros?

  • Os negros são mais indisciplinados, devido ao longo histórico de marginalização da população negra?

  • Os pais negros são mais favoráveis ao castigo corporal, daí assinarem com mais frequência a autorização para o paddle ser aplicado?

  • Racismo, puro e simples?


Seria interessante que fosse elevantada uma estatística informando quantas vezes um professor branco aplica o paddle em alunos negros, e quantas vezes um professor negro aplica o paddle em alunos brancos.

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