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Grande para apanhar?

arnaldomaq
24 de out.
8 min de leitura

Oi gente! Até aqui escrevi dois contos mostrando cenas de spanking bem ritualizadas, dadas por mães que acreditavam estar dando uma punição necessária, e não agindo sob o domínio da ira. Mas com certeza nem todas as surras são assim no mundo real. Outra questão: até que idade as mães podem punir fisicamente as filhas?

Um comentarista sugeriu um conto mostrando uma pós-adolescente apanhando, o que é mais raro, mas ainda possível no mundo real. Hoje eu vou contar a história de uma mãe mais "brava". Vamos deixar a imaginaçao nos levar para uma manhã na Zona Sul do RJ, lá no apartamento de Claudinha, que aguaeda uma visita.

Claudinha escutou a campainha do apartamento tocar. Era a amiga Larissa chegando, e logo as duas adolescentes trataram de pôr a conversa em dia, como se não se falassem toda hora ao celular. Mas não escapavam de comentar sobre aquilo que povoava seus aparelhos celulares.

- Você viu as fotos que a Júlia postou da viagem? – Perguntou Claudinha.

- Vi! A praia parecia maravilhosa – Respondeu Larissa - Água azul, areia branquinha… Fiquei com vontade de viajar também.

- Nem me fale! Se eu pudesse, passava as férias inteiras na praia.

- Eu também! Mas, desta vez, quero aprender a surfar de verdade. Fiquei com inveja de um pessoal que estava pegando ondas ontem.

- Você ainda vai acabar virando uma surfista profissional!

- Ah, para! Primeiro preciso aprender a ficar em pé na prancha sem cair.

- Podemos fazer aulas juntas. Assim, se uma cair, a outra dá risada!

- Nossa, que amiga você é! Em vez de me ajudar, vai rir de mim?

- Estou brincando! Vou ajudar você a levantar e depois a gente ri juntas.

Dona Cíntia, de saída, deu uma olhada da porta.


- Vocês vão à praia hoje?

Claudinha parou para pensar por uns segundos.

- Não, acho que hoje eu vou ficar na piscina.

Dona Cíntia fez um meio sorriso a aguçou o olhar, passando a mensagem sem palavras que a filha entendia como “Se comportem!”, e fechou a porta atrás de si.

- Vamos lá? – Comandou Claudinha.

Larissa tirou o biquíni que trazia na sacola, e Claudinha foi buscar o seu na gaveta. Tomaram o elevador, e se puseram na piscina do condomínio, já cheia àquela hora. A conversa prosseguiu enquanto ambas tomavam sol e cumprimentavam os demais vizinhos que vinham chegando.

- Oi Tina!

- Oi.

Larissa notou que a amiga parou a conversa por um instante para acompanhar com os olhos a jovem acompanhada do rapaz que se dirigia a uma espreguiçadeira vaga.

- É a Valentina do 202 – Explicou Claudinha.

- Muito gato o namorado dela – Completou Larissa.

- Não bota o olho! – Replicou Claudinha, risonha.

O papo prosseguiu, mas Larissa não deixou de notar que volta e meia a amiga lançava um olhar para o casal que tomava sol alguns bancos adianta, como se algo ali a fascinasse.

- Agora é você que está botando olho!

- Não estou não!

Mais risadas. Larissa resolveu puxar o assunto.

- É legal essa Valentina?

Claudinha demorou um pouco antes de responder.

- É legal, sim. Ela tem 19 anos.

A adolescente levou mais uns segundos antes de completar:

- Mas às vezes é meio metida. Tipo por ser mais velha, sabe?

- Ahh...

- Porque ela pode ir em lugares onde a gente não pode.

- Mas a mãe dela é brava! A dona Celina...

A frase viera de uma menina que vinha passando pelos bancos onde Claudinha e Larissa tomavam sol.

- Oi Vê! Como vai você?

A adolescente, que parecia ter a idade de Claudinha, sentou-se sobre a toalha, disposta a entrar na conversa.


- Essa é a Verônica do 301 – Apresentou Claudinha.

- Oi Verônica – Cumprimentou Larissa – Ah, mas eu acho que com 19 anos, a minha mãe ainda não ia me deixar eu fazer tudo.

- Mas com 19 anos não dá mais para botar de castigo – Contrapôs Claudinha.

- Mas a dona Celina botou a Tina de castigo uma semana sem sair! – Respondeu Verônica.

- Sério? O que foi que ela fez? – Quis saber Claudinha, com um brilho nos olhos.

- Sei lá, acho que foi uma treta com o namorado.

De um relance, Larissa compreendeu o motivo do fascínio da amiga pela vizinha mais velha. Valentina representava o que Claudinha poderia ser, se tivesse a autonomia que almejava. Mas ela estava na dúvida entre a admiração e a inveja, e vacilava entre a antevisão da liberdade que teria e a satisfação de saber que a vizinha ainda podia ser tratada como ela.

- Ah, eu bem queria ter ido com o Hiran e a Sandra lá na festa do Metropolitano, mas a mamãe não deixou – Reclamou Claudinha – Falou que é lugar de marginal, que tem baile funk...

- O Metropolitano? Sei onde é – Respondeu Verônica – Mas se eu for lá, a mamãe de dá uma surra HAHA.

A palavra despertou um gatilho em Larissa, que acompanhava a conversa. Uma surra? As meninas recorriam àquela hipérbole com frequência quando alardeavam as coisas audaciosas que faziam, mas sempre ficava no ar a dúvida sobre se trataria de uma metáfora, uma surra mesmo. Com um arrepio, recordou-se da surra de cinto que ela própria levara da mãe dias antes porque fora a um lugar proibido e chegara tarde em casa, e só de lembrar sentiu um frio descendo-lhe pelas pernas, embora estivesse calor. Sim, surras existiam! Agora experimentava uma ânsia de saber se as outras também apanhavam, ou era só ela.

- Mas tem mesmo baile funk lá? – Perguntou Claudinha, continuando a conversa.

- Dizem que tem, mas não sei bem como é – Respondeu Verônica – Não é lugar de favela, mas vai um povo meio funkeiro.

- Ai, eu tenho curiosidade de ver como é um baile funk – Prosseguiu Claudinha, divertida – Mas as mães da gente são muito preconceituosas, cheias de besteiras!

- Pois é...

Naquele momento, Valentina e o namorado haviam se levantado e passaram por elas sem desviar os olhos, rumo à sauna do prédio. Larissa notou o olhar de Claudinha acompanhando o casal, e sentiu-se obrigada a dizer alguma coisa.


- Você gosta de sauna?

- Ahn? Mais ou menos...

- Eu faço de vez em quando – Comentou Verônica – Mas o síndico anda querendo proibir para menor de 18 anos.

- Ué, por quê? – Perguntou Larissa.

- Por causa de muita bagunça que andam fazendo lá dentro...

O riso brotou nas três adolescentes, sinalizando que entendiam que tipo de bagunça era aquela.

- Ai, vamos cair na piscina?

Passaram-se dois dias. As tardes monótonas predispõem às discussões entre Claudinha e a mãe.


- Mas eu não vou sozinha! A Lari e a Vê vão comigo. A gente vai ficar juntas o tempo todo.

- Isso não significa que nada possa acontecer. Mesmo acompanhada, você precisa ter cuidado com os lugares aonde vai.

- Ahhh Você sempre fala isso! Parece que eu não posso fazer nada sem você achar algum problema!

- Eu já falei para você qual é o problema! Aquele lugar é perigoso, e você é muito nova. E eu não confio nesse pessoal que você diz que vai te levar e trazer. Olha o que aconteceu da vez passada!

- Que aconteceu na vez passada foi que eu apanhei pra cacete!

- Não responde!

Claudinha fechou o rosto em um beicinho, e as palavras não saíram. Ela detestava aqueles momentos que a faziam se sentir como uma menininha chorosa, e fez força para desamarrar a cara. A mãe parecia até já estar sentindo alguma pena dela.

- Quando você for mais velha você pode ir – Prosseguiu dona Cíntia, como que para lhe dar um prêmio de consolação. Quando você tiver a idade da Valentina...

- Tá bom.

Claudinha saiu pela porta, disposta a espairecer antes que seu humor se arruinasse de vez. Caminhou para a área comum do condomínio à procura de alguém para conversar, embora àquela hora fosse difícil. O pensamento remoía: quando eu tiver a idade da Valentina... O nome continuava ambíguo. Por vezes a fazia se sentir inferiorizada, outras vezes a fazia antever um futuro que custava a chegar. E como se o pensamento atraísse a pessoa, cruzou no corredor com Valentina acompanhada do namorado. Eles estavam rindo bastante, e não olharam para ela, rumo à sauna.


Hum, deve estar vazia a essa hora, pensou Claudinha. Logo adiante viu Verônica, e iniciou um papo de abobrinha, procurando não mencionar suas queixas.

A conversa morna foi de súbito interrompida por um grito vindo lá da sauna, que as meninas reconheceram ser a voz de dona Celina, mãe de Valentina.

- MAS VOCÊS DOIS DE SAFADEZA AQUI DENTRO!!!


As duas adolescentes silenciaram de imediato, e viraram o rosto para onde vinha o grito, que foi seguido pela voz fina de Valentina tentando explicar alguma coisa que não foi entendida, pois falava muito rápido e nervosa. Foi respondida por mais uns xingamentos da mãe, e no instante seguinte Claudinha e Verônica viram a jovem de 19 anos emergir nua da porta da sauna, puxada pelos cabelos por sua mãe, entre gritos e tapas.


- Ai mãe PLA! VAI PARA CASA PLA! Para PLA! ANDA PLA! Ai ai mãe, olha PLA! SEM VERGONHA PLA! Para mãe Aiii PLA! ANDA PLA!

Não foi preciso uma falar para a outra. Tão logo dona Celina sumiu para dentro do elevador arrastando a filha nua, Claudinha e Verônica correram escada acima, e antes de chegar já escutavam a cacofonia dos gritos de Valentina misturados aos esbravejos da mãe por detrás da porta do apartamento 202.


- Para mãe Para mãe Desculpa mãe Para mãe Para mãe Desculpa mãe

Os gritos cessaram, sucedidos por vozes mais baixas que discutiam. Em frente da porta fechada, Claudinha e Verônica podiam imaginar o que se passava ali dentro. Não compreendiam as palavras, mas distinguiam o tom firme da mãe, diferente da voz suplicante da filha. A voz de dona Celina se afastou um momento, como se ela houvesse ido buscar alguma coisa. Seguiu-se mais uma breve discussão, e a cacofonia foi substituída por uma toada monótona, Ai Ai Ai Ai, modulada pelo estalar molhado de um cinto batendo metodicamente em algum alvo macio LÉPT LÉPT LÉPT LÉPT.

Quando o silêncio se fez, as duas adolescentes retornaram à área comum do condomínio, comentando o acontecido ainda sob o efeito da excitação.

Claudinha alternava a desilusão do ídolo caído com o riso nervoso de desforra pela réplica que a vizinha metida recebera. Enquanto falava, a imaginação construía imagens do que se passara dentro do apartamento.

- Caceteeee... – Foi o que Verônica conseguiu dizer, ao recuperar a fala.

- E agora, o que a gente faz? – Perguntou Claudinha meio atarantada.

- Vamos pegar as roupas que ela deixou na sauna e entregar! – Respondeu Verônica entre nervosa e zombeteira.

Naquele estado de perplexidade em que as duas se encontravam, a sugestão pareceu até razoável, e ambas se dirigiram à sauna vazia, onde as roupas de Valentina foram encontradas a um canto. Sem trocar palavra, elas subiram novamente e tocaram a campainha do apartamento 202.

- Aqui as roupas, que a Tina esqueceu...

- Obrigado! – Foi a resposta lacônica de dona Celina, após um segundo de surpresa. Da porta, elas puderam divisar o quarto entreaberto, onde Valentina chorava na cama, ainda nua, com o traseiro vermelho.


Nos dias seguintes, Valentina não apareceu na área comum, e Claudinha ainda não sabia dizer se sentia pena da vizinha, ou um alívio mesquinho por perceber que afinal de contas, ela não era superior, pois também podia apanhar. E os demais vizinhos, será que tinham escutado? Ou o mexerico se espalhou?

- Ouvi dizer que o síndico vai botar regra para usar a sauna! – Informou Verônica.


Claudinha pensou com seus botões, devia botar regra também para surras...

 

 

 

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