Gosta de sentir dor? Então toma!
Atualizado: 1 de out.
Oi gente! Aqui está meu primeiro conto deste novo blog. Minha intenção é criar uma galeria de personagens tal como no blog antigo, cada núcleo inserido em um nicho específico, reproduzindo arquétipos conhecidos. É preciso lembrar que os personagens podem ficar datados à medida em que o tempo passa, mas seus arquétipos sao bem mais duráveis.
Aqui vão estrear minhas duas primeiras personagens, Claudinha de 16 anos, e sua amiga Larissa de 15 anos, filhas respectivamente de dona Cíntia e de dona Inês. Elas são moradoras da Zona Sul do Rio de Janeiro, e viverão aventuras neste ambiente. Procurarei ter sempre no mínimo uma dupla em cada nicho, para que os personagens tenham com quem interagir, e como devem intuir, Claudinha e Larissa são grande amigas. O conto está bem curtinho, mas pretendo conferir profundidade às personagens à medida em que a história delas toma corpo e os contos se tornam mais elaborados. Espero que simpatizem com elas. Eventualmente abrirei uma aba descrevendo o perfil de minha galeria de personagens.
Vamos deixar a imaginação nos levar para uma manhã de sol em uma praia do Rio de Janeiro.
Claudinha virou-se de bruços sobre a toalha estendida na areia, sentindo o sol sobre o corpo malhado e bronzeado de 16 anos recém-completados, e pediu à amiga:

- Passa um pouco do filtro solar em mim.
Sem interromper o que estava falando sobre o dia anterior na escola, Larissa levantou-se, e ajoelhada na areia, pôs-se a esfregar o bronzeador sobre o corpo de Claudinha.
- Aquela Isabel da 32 é bem escrota mesmo, mas eu dei uma resposta boa para ela...
Larissa começou de baixo para cima, do calcanhar subindo pela batata da perna, daí para uma coxa, depois para a outra.
- Amanhã chega a minha nota de matemática. Minha mãe vai querer saber... ai...
Quando Larissa começou a passar o óleo nas nádegas da amiga, Claudinha experimentou um ligeiro desconforto. Uma lembrança, um pressentimento. Dali a pouco a mãe estaria em casa, e ela já havia falado ao telefone que sabia de tudo, e “vamos conversar depois”. Sim, a parte do corpo que os dedos de Larissa tocavam agora se ressentia. Mas a irritação varreu aquele vago calafrio, e a adolescente resolveu revelar.
- Hoje vai ter falatório logo mais. A mamãe descobriu que eu fiz pole dance ontem. Depois que eu tive aquele problema... qual o nome que tem? Aquela inflamação no músculo, acho que é miosite. A mamãe tinha me proibido. Mas eu fui escondida dela.
- Ahhh – Murmurou Larissa, agora passando o óleo sobre os ombros da amiga – Mãe é preocupada com tudo mesmo, parece que a gente é criancinha...
- E eu adoro pole dance – Disse Claudinha meio para se justificar, mas sem disfarçar o tom irritado.
- Esquenta não – Respondeu Larissa, guardando o filtro solar na bolsa de plástico – A minha também me enche o saco por besteira. Engraçado que se preocupa tanto, que acaba fazendo o mal para a gente, tanto que quer fazer o bem HAHA. Eu acabo saindo no pau com ela!
- Esquentar, bom é no sol – Replicou Claudinha, procurando recuperar o bom humor.
O silêncio se fez entre as duas adolescentes, Claudinha deitada de bruços, Larissa deitada de costas, o sol torrando sobre elas. Mas Claudinha não conseguia conter o pensamento. A mãe dali a pouco chegaria. As últimas palavras da amiga continuavam ecoando. Mãe preocupa tanto que acaba fazendo o mal para a gente. Quer fazer o bem, mas faz o mal. Melhor seria se não amasse tanto, então. Eu acabo saindo no pau com ela... qual teria sido o sentido estrito da afirmação de Larissa? Será que? Claudinha pensou em perguntar mais, mas calou-se. Um dia puxaria o assunto.
- Vamos cair na água?
Pelo resto da manhã, o sol, o mar, a conversa e as risadas foram apagando as preocupações de Claudinha. Ao chegar em casa, ainda sentindo o sol e o sal grudados na pele bronzeada, dirigiu-se ao banheiro ainda com um fiapo de música no ouvido, quando foi interrompida pela voz de dona Cíntia, tom falsamente calmo que a adolescente bem conhecia.
- Moça, precisamos conversar.
Banho de água fria! Então a mãe retornara antes da hora, o que era um mau sinal. Claudinha teve a impressão de que a mãe estava um tanto mais zangada do que ela previra, e por um instante o calor do sol se esvaneceu da pele, sucedido por um frio que lhe desceu pela espinha. Não encontrou de imediato as palavras certas.

- Ahn? Ah mãe, deixa eu tomar banho primeiro...
- Vai.
Claudinha caminhou rápido para o banheiro, mas não deixou de perceber o tom enviesado da mãe, e a calma que parecia calculada. Ela sabia que a mãe tinha seus truques, mas naquele momento só queria que o relógio andasse mais rápido. Fechou a porta, e pôs-se a remover a blusa que cobria o biquíni. Nem bem tirou o short, escutou a chave girando na fechadura, e dona Cíntia entrou com a cara de quem não admitia desobediência.
- Vamos conversar A-GO-RA. Já para o quarto, moça!
Claudinha sentiu o abalo, confusa. Um arrepio percorreu-lhe o corpo, eriçando os pelinhos dourados. De súbito, o biquíni a fez sentir-se nua. A mãe parecia haver sincronizado seus movimentos para pegá-la justo naquele estado, como é que a mãe sempre sabia fazer tudo?
- Ah mãe...
- Para o quarto!
Claudinha respirou fundo e seguiu para o quarto, sem saber se sentia medo ou raiva. A mãe veio logo atrás, fechou a porta e soltou o verbo.

- Você me desobedeceu! Assim eu não posso confiar em você! Você não liga para a sua saúde, e depois...
- Mas mãe, a saúde é minha! – Interrompeu Claudinha – Eu é que sei...
Mas o que Claudinha sabia mesmo era que quando sua voz começava a ficar mais fina, as palavras saíam antes do pensamento, e ela inevitavelmente entrava no roteiro que terminava da maneira como ela sabia. Só não sabia dizer se era movida pela irritação ou pelo medo.
- Não interrompe o que eu estou falando! – Prosseguiu a mãe – Se você não se importa com a sua saúde, eu me importo!
- Ah mãe, eu acho que você não gosta é que eu faça pole dance! – Replicou Claudinha, a voz ainda mais fina e irritante – Que saco!
- Não responde para mim! – Devolveu a mãe – E eu não gosto mesmo! Mas o que é mais importante é que você mentiu para mim, me desrespeitou!
Claudinha sacudiu a cabeça, em desconsolo.
- Ah mãe, vamos deixar pra discutir isso outra hora, vou tomar banho agora, tá?
Claudinha caminhou em direção à porta, mas foi barrada pelo braço da mãe. Incontinenti, dona Cíntia tirou a chave na fechadura, trancou a porta e exibiu a chave à adolescente, em um gesto de triunfo, tudo tão rápido que Claudinha não teve reação. Um instante depois, dona Cíntia já havia pego um pé de sandália havaiana no chão.
- Você acha que se manda, e ainda é malcriada? Deita na cama com a bunda pra cima, agora!
Por um intervalo de tempo que Claudinha não soube precisar, pensamentos confusos esvoaçaram em sua cabeça. Quis pedir desculpas. Quis desafiar a mãe. Quis continuar a conversa em tom calmo. Quis chorar. Não fez nada daquilo. Quis dizer que já estava grande para apanhar, mas sabia que não era verdade.
- Ah mãe, já vai me bater de novo? – Soltou a adolescente por fim, mas o tom saiu choroso.
- VOU! Porque me desrespeitou, e eu não sou palhaça, eu sou a sua mãe! Anda, deita na cama e bota essa bunda para cima, que eu tenho muito que fazer hoje!
A boca de Claudinha se abriu, mas a fala não saiu. Ela deu um passo para trás, sem sentir. A mãe deu um passo para a frente, já erguendo o chinelo.

- Ah mãe, não, não CHLÉPT! Ai!
A sandália havaiana carimbou a coxa da adolescente, fazendo-a dar um pulinho para o lado. Claudinha sentiu um ardor que não tinha nada a ver com o sol da manhã, e um misto de indignação e perplexidade irrompeu em sua mente. Mas os pensamentos continuaram confusos. Ela mirou a sandália havaiana de tiras cor-de-rosa, nova, segura pela mãe, como se fosse uma traição: sua própria sandália usada contra ela!
- Anda! – Insistiu a mãe.
- Ai mãe tá doendo CHLÉPT! Aiêêê...
A segunda chinelada carimbou a outra coxa, fazendo Claudinha dar outro pulinho. Suas canelas encostaram no estrado da cama. Por um instante Claudinha percebeu uma contradição engraçada, a mãe fazia sua coxa doer justo porque ela descuidara de uma dor muscular na mesma coxa, mas não teve tempo para mais elucubrações, só queria fugir. Pulou sobre a cama, e saiu do outro lado. A mãe logo veio em seu encalço. Ficou de pé sobre a cama, e sentiu a ponta do chinelo raspar a pele, ao conseguir esquivar-se de mais um golpe.
- Deita na cama, que você vai apanhar!
A cena até parecia engraçada, a adolescente de pé sobre a cama, e a mãe indo de um canto ao outro, tentando atingi-la. Mas Claudinha sabia que não tinha escapatória, continuava fugindo por puro instinto. Ao tentar mais um volteio, sentiu ou braços da mãe barrando suas canelas, perdeu o equilíbrio e caiu de borco sobre a colcha. No instante seguinte já tinha a mãe sobre ela. Tentou desvirar-se, mas o peso da mãe não deixou. Ofegante, tentou novamente sair daquela posição incômoda, o corpo atravessado na cama, a cabeça no chão de um lado, os pés no chão do outro, Foi então que sentiu a sandália havaiana nas nádegas.
- CHLÉPT!
A adolescente mal conseguiu gemer, sufocada pelo peso da mãe. A dor se espalhou em ondas. Conseguiu colocar uma mão para proteger o traseiro, mas a mãe puxou seu pulso e prendeu o braço em suas costas, causando dor.

- Vira a bunda!
As chineladas tornaram a soar, agora ritmadas sobre as nádegas tisnadas de sol da adolescente, repartidas ao meio pelo fio do biquíni. CHLÉPT! CHLÉPT! CHLÉPT! CHLÉPT! CHLÉPT! Claudinha teve de volta a sensação impotente de estar nua apesar de vestir o biquíni, mas por pouco tempo, pois agora só queria que aquilo terminasse. Ofegou, torceu o corpo para um lado e para o outro, esperneou batendo os pés no chão, mas o único som que se ouvia era o estalar molhado da borracha macia da havaiana.

- Ai mãe, para!
Claudinha não queria falar nada, mas sabia que estava cedendo. As chineladas caíam rápido demais, sem lhe dar tempo para recuperar-se, CHLÉPT! CHLÉPT! CHLÉPT! CHLÉPT! Ela já estava ficando sem fôlego.
- Ai mãe, tá doendooo...

A voz já saiu meio chorosa, para a raiva impotente de Claudinha. Agora ela já estava implorando, os soluços misturando-se à sua respiração ofegante. O traseiro era uma dor só, como uma fogueira, e ela não distinguia mais uma chinelada da outra, tanto que mal notou quando a mãe parou de bater.
- Tá reclamando de dor? Então cuida da saúde! Gosta de sentir dor? Então eu vou encher a sua bunda, pra você sentir bastante dor!
Claudinha teve que engolir a ironia de dona Cíntia. Permaneceu de bruços na cama, sentindo o ardor nas nádegas se transformar em um latejar que descia perna abaixo, e a cabeça girando com mil pensamentos. Após um intervalo que ela não soube precisar, levantou-se e foi ao banheiro tomar banho. Dona Cíntia estava sentada no sofá olhando o celular, e Claudinha passou por ela sem nada falar.
Entrou no chuveiro, e o contato da água quente no corpo proporcionou algum alívio. Demorou sob o chuveiro mais que o necessário, desejando que o banho não lhe limpasse somente o corpo, mas também a alma, e se possível, a marca da sandália que parecia estar ainda grudada em seu bumbum.

Banho tomado, de volta ao quarto, a cabeça mais fria, Claudinha colocou um vestido leve e tornou a se deitar na cama, disposta a colocar as ideias em ordem. Pensou na mãe, que era legal, sabia compartilhar seu mundo, mas era nervosa, e sobretudo quando julgava que a filha estava fazendo alguma coisa perigosa, aí sim ela fazia a coisa ficar perigosa para seu traseiro... Pensou no pai, que era divertido, mas só isso, divertido, e sempre se esquivava quando ela fazia alguma queixa da mãe. Pensou na amiga Larissa, que também tinha tretas com a mãe, dona Inês, e sabe-se lá também apanhava. Voltou a pensar na mãe. Dona Cíntia parecia ter uma ciência especial para lhe bater, nada de deixá-la de cama, é verdade, mas sempre de um jeito que lhe causava uma sensação de impotência que ela detestava. O pai não se importava.

Suspirando, sentiu necessidade de fazer um balanço nos danos. Virou para se olhar no espelho. O vermelhão nas nádegas estava esmaecido, mas o carimbo da havaiana começava a se destacar. Ficou preocupada ao notar a marca nas coxas, será que ela não poderia vestir shorts? Lembrou que havia combinado com Larissa de ir à praia novamente no dia seguinte. Procurou tranquilizar-se, a pele bronzeada disfarçava bem as marcas.

Na manhã seguinte, olhou novamente. Marcas mais sutis, mas podia ser o sol, né? Queixo duro, colocou o biquíni. Na sala, a mãe estava até de bom humor, como se nada houvesse acontecido, mas antes dela sair, não deixou de fazer a recomendação.
- Não esquece do remédio, hein!
- Não esqueci não!
Claudinha atravessou a porta meio chateada por não ter sido capaz de disfarçar o tom aborrecido. Queria mostrar para a mãe que ela não não estava nem aí, né? Procurando afastar o mau humor, rumou para a praia, onde a amiga Larissa já se encontrava.
- Oi.
- Hoje eu quero ficar bem queimada!

Bateu papo sem muito ânimo, esperando que a amiga não reparasse. Mas uma hora, veio a sugestão que ela não estava a fim de ouvir.
- Quer que eu passe um pouco do filtro solar?
Droga, será que ela vai reparar alguma marca? Mas Claudinha não teve outro jeito senão deixar. Queria agir com toda a naturalidade, como se ignorar fosse o mesmo que reverter o acontecido. Virou-se, e a amiga começou a passar o creme em seus ombros, descendo cuidadosamente. Quando chegou no bumbum, Claudinha sentiu dor, mas fez força para não soltar nenhum gemido. A amiga pareceu não ter reparado. Tanto que não poupou força, e Claudinha teve que fazer caretas para aguentar.

- Ai, não aguento mais o calor, vamos cair na água? - Sugeriu a adolescente para pôr fim ao tormento.
Caíram na água. Claudinha sentiu o bumbum ardendo com o sal.


Saudações!
Muito boa história! Me remeteu aos primórdios do Adolespanko, gostei do novo núcleo de personagens e achei bem promissores. Parabéns pelo novo site e muito sucesso. Ansioso pelo que está por vir!
Abraços e até mais!