Artigo: surras na infância podem incentivar delinquência
Atualizado: 1 de out.
Um desbafo recorrente da parte de comentaristas revoltados com a criminalidade, é que os pais de hoje em dia não estão sendo rigorosos porque "não podem mais bater". Eu pessoalmente sempre duvidei de que indivíduos acostumados a praticar atos violentos, como crimes, não se familiarizaram com a violência em seu passado. Achei um artigo interessante que demonstra isso.

Foram entrevistados adolescentes infratores da Fundação Casa.
O estudo chegou à conclusão de que se o adolescente apanhou quando criança de forma severa, é mais provável que ele faça parte do grupo de jovens em conflito com a lei. “Identificamos que dos que cometeram atos infracionais, 55,2% levaram uma surra que deixou marcas no corpo, enquanto dos que não cometeram atos infracionais, 28,1% levaram uma surra que deixou marcas no corpo”, diz o estudo.
No Centro Socioeducativo Edson Mota (CSE), localizado no bairro de Mangabeira, em João Pessoa, não é difícil encontrar internos nessa situação. Um adolescente de 17 anos relatou que chegou a apanhar do padrasto com uma mangueira. A agressão deixou marcas.
"Meu padrasto dava na minha mãe direto. Eu via e tentei furar ele uma vez de faca. Mas pensei na minha irmã, que gosta tanto dele. Aí eu saí de dentro de casa, fui morar com meus amigos”
Outro adolescente interno do CSE, de 15 anos, também teve um passado de agressões em casa, mas eram mais leves.
“Quando meu pai bebia, chegava em casa e discutia com a minha mãe, aí eu não gostava. Pegava e saia de casa. Ele batia em mim de vez enquando com uma chinela, quando eu fazia coisa errada. Mas não doía, eu já tava acostumado”
Porém, a relação conflituosa com o pai pode ter motivado o adolescente a cometer o ato infracional que o levou para o CSE.
“Foi assalto. Eu tava sem dinheiro e queria comprar roupa pra mim. Eu não queria depender do meu pai, por isso não quis pedir dinheiro a ele. Mas foi a primeira e última vez”
Já a psicóloga do CSE, Lúcia Helena, não consegue perceber essa relação entre punição severa e adolescentes em conflito com a lei no cotidiano da instituição. Ela acompanha de perto 20 internos e constata um problema maior a respeito da violência psicológica.
“Eles sofrem mais uma violência causada pela questão do abandono, negligência dos pais, de não estarem perto para saber com quem os filhos estão andando, se realmente estão frequentando a escola. E eu vejo que a maior incidência, quando eles se envolvem em atos infracionais, infelizmente é pela questão da influência do círculo de amizades”
E vocês, o que acham?

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